Taoismo · Conceito
O significado de Yin e Yang está menos nas coisas que eles nomeiam e mais na relação entre elas. Yin (陰) é o princípio receptivo, interior, escuro, úmido — o que recolhe, conserva e adensa. Yang (陽) é o princípio ativo, exterior, luminoso, seco — o que inicia, expande e dispersa. Nenhum é bom ou ruim, superior ou inferior: são as duas faces pelas quais qualquer fenômeno pode ser lido.
Este é o ponto que costuma escapar. Yin e Yang não são categorias fixas às quais as coisas pertencem — são posições relativas. A noite é Yin diante do dia, mas o crepúsculo é Yang diante da meia-noite. Uma pessoa reservada é Yin ao lado de uma expansiva e Yang ao lado de outra ainda mais recolhida.
É essa mobilidade — e não uma tabela de atributos — que permite ao I Ching falar de situações tão diferentes com o mesmo vocabulário. Quem decora "Yin = passivo, Yang = ativo" trava; quem entende a relatividade lê qualquer configuração.
A quarta é a mais importante para o oráculo: é dela que vem a ideia de linha mutante — o ponto em que a configuração está virando o seu oposto.
O desenho conhecido como Taiji (太極) não mostra duas metades separadas: mostra duas formas que se encaixam por curvas, cada uma carregando um ponto da outra dentro de si. É a representação gráfica das quatro relações — inclusive da última, já que o ponto oposto é a semente da transformação.
O I Ching escreve esse par no seu alfabeto mais elementar: uma linha inteira (⚊) é Yang, uma linha partida (⚋) é Yin. Três linhas formam um trigrama; seis formam um hexagrama. Toda a leitura sai daí.
E a postura diante do que se lê tem nome próprio: Wu Wei, a ação sem esforço — agir no sentido em que a configuração já está pendendo, em vez de contra ela.